A Coroa que Não Morreu
A Coroa que Em meio à exaustão da República, a causa monárquica deixa de ser saudosismo e volta a ser projeto de futuro para o Brasil
Há momentos em que um povo olha para sua própria história e se reconhece. O Brasil vive um desses momentos. Depois de mais de um século de crises repetidas, de presidencialismos que começam com grandes promessas e terminam em impeachment, mensalão, petrolão e polarização, o brasileiro começa a se perguntar se o problema não está nas pessoas, mas no próprio desenho da República. É nesse vazio de representação e de unidade que a monarquia ressurge, não como fantasia de museu, mas como uma alternativa serena, testada e profundamente brasileira.
Essa esperança tem um rosto novo. Não são apenas os círculos tradicionais que mantinham acesa a chama. É uma juventude que descobriu Dom Pedro II nos livros e nas redes, que estuda o parlamentarismo imperial, que acompanha a atuação da Casa Imperial e entende que estabilidade não é autoritarismo. São advogados, agricultores, professores e jovens do interior que viram nos 50 anos de paz interna, crescimento e prestígio internacional do Segundo Reinado algo que a República nunca conseguiu entregar de forma contínua. O movimento cresceu, se organizou, ganhou voz e perdeu o medo de dizer: somos monarquistas.
O que defendemos não é um retorno ao século XIX, mas a sua atualização. Uma monarquia parlamentarista, onde o Imperador exerce o Poder Moderador, aquela função neutra e apartidária que o Brasil perdeu, que impede que um presidente seja ao mesmo tempo juiz e parte, chefe de Estado e chefe de facção.
O Imperador reina e une, o Primeiro-Ministro governa e responde. É a separação que garante que crises políticas não virem crises de Estado, que o país tenha um símbolo permanente acima das eleições de quatro em quatro anos. É ordem, liberdade e continuidade. Por isso, para quem defende essa causa, esta é a hora da esperança.
A semente plantada pelos que votaram 1993 sem medo, e pelos que mantiveram o laço de ouro e verde vivo nas décadas mais difíceis, finalmente encontrou solo fértil. A causa monárquica no Brasil não morreu em 1889. Ela apenas aguardava o Brasil amadurecer o suficiente para reencontrá-la.

Nenhum comentário