Entrevista com Carlos Egert, presidente - geral do Diretório Monárquico do Brasil - Vitória Imperial

Entrevista com Carlos Egert, presidente - geral do Diretório Monárquico do Brasil




Pergunta: O senhor, enquanto analista de Relações Internacionais, antropólogo forense, jurista e cientista político, como interpreta o papel de ser Presidente-Geral do Diretório Monárquico do Brasil no cenário atual do país?

Resposta:
Ser Presidente-Geral não é ostentar uma posição de mando, mas assumir uma missão de memória e responsabilidade histórica. Não se trata de exercer poder como quem impõe, mas de encarnar um testemunho que inspira. Liderar o Diretório significa abrir espaço para que vozes, muitas vezes dispersas ou silenciadas pela voragem da modernidade, encontrem eco em um ideal que transcende os modismos políticos e repousa na própria identidade nacional. O Brasil tem raízes profundas em sua tradição imperial; raízes que, quando esquecidas, geram um povo órfão de si mesmo, desprovido de continuidade. Exercer este cargo é servir a essa tradição, cultivar sua permanência e garantir que ela permaneça viva para iluminar o presente e projetar o futuro.

Pergunta: O senhor é conhecido por escrever textos líricos e com uma narrativa singular sobre a monarquia e o Brasil Imperial. Em sua visão, qual a importância dessa expressão poética para o movimento monárquico e para a sociedade brasileira contemporânea?

Resposta:
A poesia é a língua da eternidade. Ao escrever sobre a monarquia, sobre a Casa Imperial e sobre as figuras que compuseram o Brasil do século XIX, não pretendo erguer monumentos de mármore frio, mas semear flores de memória no coração do leitor. O lirismo não embeleza a História, ele a humaniza. Permite ver Dom Pedro II não apenas como Imperador, mas como homem de cultura e consciência; permite ver Princesas e estadistas não apenas como personagens distantes, mas como seres humanos que amaram, sofreram e lutaram. A narrativa lírica resgata o Brasil Imperial da aridez das cronologias e o converte em herança viva, pulsante, capaz de dialogar com os dilemas do presente. É justamente nesse sopro lírico que a memória encontra a eternidade.


Pergunta: Como antropólogo forense, o senhor tem se dedicado à reconstrução facial de personagens do século XIX. Que significado atribui a esse trabalho de resgate da imagem histórica?

Resposta:
A reconstrução forense é mais do que uma técnica: é um gesto de justiça. Ao devolvermos semblantes esquecidos, não oferecemos apenas uma face, mas um reencontro entre passado e presente. O olhar que renasce em um retrato restaurado restitui humanidade ao personagem histórico, lembrando-nos de que a História não foi escrita por abstrações, mas por pessoas que respiraram, trabalharam, sonharam e também se sacrificaram. É ciência, sim, mas ciência a serviço da memória e da dignidade. Trata-se de reconectar gerações, de fazer com que brasileiros de hoje possam contemplar nos olhos de seus antepassados a certeza de que não somos uma pátria sem origem.


Pergunta: Em tempos de polarização política e de crises institucionais, o senhor defende a monarquia parlamentarista como modelo de governança. Por que considera essa alternativa relevante para o Brasil de hoje?

Resposta:
A monarquia parlamentarista não é uma fantasia nostálgica, mas uma resposta madura a um problema estrutural que o Brasil enfrenta há décadas: a fragilidade institucional. O trono constitucional, longe de qualquer absolutismo, é um eixo moral e simbólico que se mantém acima das disputas partidárias, garantindo estabilidade e continuidade. Ao lado dele, um Parlamento forte preserva a vitalidade democrática. Essa combinação, que já funcionou no Brasil e permanece viva em diversas nações bem-sucedidas, representa o encontro da tradição com a modernidade. Num contexto de polarização e de cansaço da população com o ciclo vicioso de rupturas, a monarquia parlamentarista ressurge não como passado, mas como futuro possível — um arquétipo de governança que pode restaurar confiança e dar ao Brasil uma ordem mais estável e duradoura.


Pergunta: O senhor concilia múltiplas frentes de atuação — a escrita, a restauração histórica, a produção acadêmica e o ativismo monárquico. Como une todas essas dimensões em um mesmo projeto de vida?

Resposta:
A chave está na humildade. Não me vejo como autor de um legado, mas como servidor de uma herança que me antecede e me transcende. Quando escrevo, é porque outros semearam o solo da nossa memória. Quando restauro imagens, é porque recebi o encargo de devolver dignidade a quem a história quase apagou. Quando defendo a monarquia, não o faço em nome de uma glória pessoal, mas em nome de gerações que buscam no passado não uma prisão, mas um horizonte de dignidade e estabilidade. O trabalho se torna belo justamente porque não é autossuficiente: é parte de um serviço maior, uma vocação de continuidade. Se há luz, ela não vem de mim, mas da tradição que apenas reflito.


Pergunta: Finalmente, como o senhor enxerga o cenário de polarização do Brasil atual e de que maneira essa conjuntura pode, paradoxalmente, beneficiar o movimento monárquico?

Resposta:
A polarização é a enfermidade do nosso tempo. Ela transforma adversários em inimigos e reduz a política a trincheiras ideológicas, enfraquecendo as instituições e fragmentando o tecido social. No entanto, paradoxalmente, é nesse ambiente de incerteza que o movimento monárquico encontra terreno fértil. Porque a monarquia não se coloca como mais uma facção no tabuleiro, mas como eixo de reconciliação. Ela propõe não o poder de um lado contra o outro, mas a existência de um centro simbólico capaz de harmonizar diferenças sem se submeter a elas. O Brasil, cansado da alternância estéril entre polos inconciliáveis, pode reencontrar no modelo monárquico-parlamentarista uma alternativa de unidade, estabilidade e continuidade. A polarização, nesse sentido, ao invés de enfraquecer, pode revelar à nação a urgência de um projeto maior, que ultrapasse o imediatismo das paixões e reconcilie o país com sua própria alma histórica.

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