Raimundo Feitosa do Vitória Imperial entrevista o Presidente-Geral do Diretório Monárquico
Com grande satisfação, Raimundo Feitosa, do canal Vitória Imperial, recebe hoje Carlos Egert, Presidente-Geral do Diretório Monárquico do Brasil, formado em Direito e Relações Internacionais, além de historiador independente. Nesta entrevista especial, Raimundo expressa sua alegria em conversar com uma das vozes mais firmes e influentes do movimento monárquico nacional, que tem se destacado pela seriedade, coerência e dedicação à causa da restauração da Monarquia no Brasil.
Vitória Imperial: Em que momento da sua vida você percebeu que a monarquia não era apenas um interesse histórico, mas um chamado de vida e missão?
Carlos Egert: O ponto de virada foi quando compreendi que a Monarquia não era um capítulo do passado, mas uma estrutura viva, coerente e potencialmente regeneradora. Ao estudar profundamente a formação do Brasil, percebi que a ruptura de 1889 representou não uma evolução, mas uma amputação. A partir dali, não pude mais olhar a Monarquia apenas como um tema de pesquisa, mas como uma missão cívica — restaurar uma ideia que une, educa e eleva a nação.
Vitória Imperial: Como foi seu primeiro contato com a ideia monárquica e quais foram as primeiras leituras ou experiências que marcaram essa descoberta?
Carlos Egert: O contato inicial se deu por minha inquietação intelectual como estudante de Direito e Relações Internacionais. Eu buscava compreender por que o Brasil havia se tornado institucionalmente disfuncional. Ao investigar a vida de D. Pedro II, fui impactado não apenas por sua estatura moral e intelectual, mas pela longevidade institucional do regime imperial. Obras sobre o Segundo Reinado, os bastidores da Proclamação da República e os escritos dos próprios imperadores foram determinantes para minha conversão à causa.
Vitória Imperial: Muitos jovens hoje se perdem em causas passageiras. O que te faz permanecer firme e convicto na defesa da monarquia, mesmo diante de tanta resistência e incompreensão?
Carlos Egert: O que me ancora é a análise fria dos fatos históricos e institucionais. A Monarquia não é um modismo, tampouco um romantismo nostálgico — é uma alternativa séria, racional e constitucional. Ao contrário do que se pensa, ela é a forma mais moderna de moderar o poder, sem submissão a vaidades partidárias ou ciclos populistas. Permaneço firme porque a verdade não se curva ao tempo, ela o atravessa.
Vitória Imperial: Em sua visão, qual foi o maior erro da República brasileira até hoje?
Carlos Egert: O maior erro foi sua própria gênese: um golpe militar travestido de transição, sem consulta popular, sem lastro moral e sem projeto de país. A República nasce com um déficit de legitimidade que jamais superou. Desde então, instituiu uma cultura de improviso, de patrimonialismo partidário e de erosão simbólica. O povo, desprovido de vínculos históricos com as instituições, perdeu a fé no Estado.
Vitória Imperial: O que você considera o maior legado do período imperial brasileiro, algo que o país ainda não conseguiu resgatar?
Carlos Egert: O legado maior é o senso de Estado como continuidade e missão. Sob o regime imperial, havia uma elite que compreendia o tempo histórico em séculos, não em mandatos. A educação pública nascente, a diplomacia de altíssimo nível e o compromisso com a unidade territorial são heranças que deveríamos reverenciar. Infelizmente, substituímos isso por ciclos curtos e gestões personalistas.
Vitória Imperial: Você acredita que o Brasil atual tem maturidade para um debate sério sobre Monarquia ou ainda falta muito para esse despertar nacional?
Carlos Egert: Falta, mas os sinais são promissores. As redes sociais abriram brechas no bloqueio ideológico que mantinha a Monarquia no limbo acadêmico e midiático. Jovens estão despertando, muitos sem qualquer vínculo familiar com a aristocracia ou a tradição monárquica, mas movidos pela racionalidade e pela busca de soluções estruturais. A consciência virá, mas exige preparo, paciência e exemplos coerentes.
Vitória Imperial: Como Presidente-Geral do Diretório Monárquico do Brasil, qual foi a situação mais difícil que você enfrentou até agora em sua liderança?
Carlos Egert: A maior dificuldade é estruturar algo sério em meio a décadas de amadorismo, fragmentação e abandono institucional do tema. Parte do movimento ainda não compreendeu que uma causa legítima exige disciplina, profissionalismo e renúncia pessoal. Lidar com visões conflitantes sem perder a identidade do projeto exige firmeza e sensibilidade — mas também visão de longo prazo.
Vitória Imperial: Você tem uma presença marcante nas redes sociais. Como você equilibra o tom firme das suas posições com o diálogo aberto e educativo nas suas postagens?
Carlos Egert: Eu entendo as redes como trincheiras pedagógicas. Firmar posição é necessário, mas deve haver cuidado para não transformar o embate em espetáculo. Meus textos visam sempre provocar reflexão — não alimentar polêmicas estéreis. Quem busca o que é verdadeiro e coerente reconhece que a firmeza e o respeito não se anulam, eles se equilibram.
Vitória Imperial: Seu trabalho literário e musical também carrega reflexões sobre o Brasil e o ser humano. Qual dessas áreas — política, literatura ou música — mais revela quem é o verdadeiro Carlos?
Carlos Egert: Cada uma revela uma camada. A política é onde ajo como estrategista e servidor de um ideal coletivo. A literatura me permite a introspecção e a elaboração simbólica do Brasil e de mim mesmo. A música, por sua vez, revela aquilo que nenhuma palavra explica: o íntimo. Não sou apenas uma dessas esferas — sou a harmonia possível entre elas.
Vitória Imperial: Qual é o maior medo que você carrega como líder e como homem?
Carlos Egert: Como líder, temo que o Brasil continue a desperdiçar seu tempo histórico, condenando gerações à mediocridade institucional. Como homem, temo não ser suficientemente útil ao meu tempo. Mas aceito esse risco com serenidade, porque meu dever não está condicionado ao êxito imediato, e sim à retidão do caminho que trilho.
Vitória Imperial: Se pudesse conversar com D. Pedro II por uma tarde inteira, qual seria a primeira pergunta que você faria a ele?
Carlos Egert: Eu lhe perguntaria: “Majestade, o senhor, com toda a sua sapiência e resignação, acredita que a razão e a moderação bastam diante de um mundo cada vez mais movido por paixões e rupturas?” Gostaria de ouvir sua resposta, não apenas como historiador, mas como alguém que vive o desafio de conciliar idealismo com realismo.
Vitória Imperial: Sabemos que você é bisneto de Anna Krejčíková, filha de Roberto I, Duque de Parma, da Casa de Bourbon-Parma, e que possui raízes também na tradicional família britânica Egerton, de antiga linhagem aristocrática. Essa ancestralidade tem alguma relação com sua motivação na causa monárquica?
Carlos Egert: De forma direta, não. A ancestralidade, embora digna de ser reconhecida e estudada, jamais foi motivação ou justificativa para meu engajamento. Talvez tenha sido apenas o primeiro gatilho para que eu me interessasse mais seriamente pela história da aristocracia, dos sistemas dinásticos e das instituições europeias. Mas a adesão à causa monárquica, no Brasil, deve estar pautada na razão e na justiça institucional — e não em nostalgia genealógica. Devemos, inclusive, rejeitar com clareza qualquer ideal de retorno ao absolutismo. O que propomos é uma Monarquia constitucional, moderna, ética e cívica — uma monarquia que sirva ao povo, e jamais o contrário.
Vitória Imperial: Como você lida com o peso da responsabilidade de ser um símbolo para tantos jovens monarquistas que te acompanham?
Carlos Egert: Lido com humildade e vigilância. Sei que minhas palavras, ações e até silêncios podem impactar positivamente — ou negativamente — quem me acompanha. Não busco ser ícone de nada, mas sei que a coerência pessoal é parte da pedagogia do exemplo. Representar um ideal é muito mais do que aparecer: é cultivar, no silêncio e no esforço diário, o tipo de virtude que transcende qualquer cargo ou reconhecimento.
Chegamos ao fim desta entrevista enriquecedora com Carlos Egert, Presidente-Geral do Diretório Monárquico do Brasil. Agradecemos profundamente por sua generosidade em compartilhar reflexões tão sinceras, firmes e inspiradoras. Suas palavras deixam um importante convite à consciência histórica e à responsabilidade nacional!

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