PRÍNCIPE NA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA?
A pergunta que circula nos bastidores de Brasília é simples: se Flávio Bolsonaro vencer, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança pode comandar a Câmara? Não encontrei reportagem de peso que sustente esse rumor. O que a imprensa registra é outro nome, e é com ele que a hipótese precisa ser comparada.
Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, e o desfecho fica para 25 de outubro. O PL já mede o poder que ganhou no Legislativo: elegeu 121 deputados e terá a maior bancada das duas Casas. Somado a União Progressista e Republicanos, forma um bloco de 248 cadeiras, perto da maioria absoluta.
Esse poder tem um candidato natural. O líder da bancada, Sóstenes Cavalcante, admite o desejo de presidir a Câmara, e o partido cogita seu nome caso Flávio seja eleito. Sóstenes também sustenta que Hugo Motta ficaria muito enfraquecido na disputa pela recondução com Flávio no Planalto.
Ele não é um estranho a essa disputa. Em 2022, um grupo de 30 deputados do PL quis lançá-lo à presidência da Câmara, descontente com o apoio do partido à reeleição de Lira. Depois, o PL o designou para coordenar o processo interno de escolha do candidato da legenda. Foi reeleito em 2026 por São Paulo, com 187.743 votos. E o PL, segundo a imprensa, quer pessoas 100% alinhadas ideologicamente nos postos-chave do Congresso, um critério que ele cumpre sem esforço.
O primeiro obstáculo é Sóstenes, que larga na frente dentro do próprio partido. O segundo é o perfil político. Luiz Philippe sempre criticou o Centrão, acusando o grupo de usar emendas parlamentares para se perpetuar no poder, e defende bandeiras como voto distrital e recall de mandato. A coerência é um mérito, mas a presidência da Câmara exige pontes com os partidos que controlam os votos que faltam ao PL. Essa é justamente a ponte que ele menos construiu.
O terceiro obstáculo é institucional. O presidente da República não escolhe o presidente da Câmara: a decisão é dos deputados, em fevereiro de 2027. Flávio poderia sinalizar uma preferência, mas não impô-la. O próprio PL sabe que não ficará com a presidência das duas Casas, e a ocupação da Câmara depende do que for negociado também para o Senado.
Há ainda a variável Motta. O atual presidente declarou apoio à reeleição de Lula, que prometeu apoiá-lo em 2027. Se Lula vencer, o cálculo muda por completo e a discussão sobre o PL na cadeira perde o sentido.
O cenário em que Luiz Philippe ganha força é o do acordo. Se o Senado for para outro grupo, se Sóstenes encontrar resistência no Centrão e se o PL precisar de um nome de confiança ideológica que não queime a bancada, ele reaparece como alternativa. É uma hipótese possível, mas condicionada.
O rumor parece mais especulação de bastidor do que articulação real. Os sinais concretos apontam para Sóstenes, e o próprio líder pede cautela: quem lançar o nome agora "queimará a largada". O que decide tudo isso é 25 de outubro, e depois dele, a negociação do PL com o Centrão. Até lá, a presidência da Câmara é só uma conta que ninguém quer fechar em voz alta.
Patrick Kouark
Vitória Imperial
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